O marxismo e o cristianismo : Uma Reflexão de leve sobre os nossos dias

Postado em 15. jun, 2011 por em Confrontos

Olá pessoas tudo bem? Hoje em especial vou falar de um tema que aproxima duas paixões para mim, a sociologia e o cristianismo. Não sou teóloga e ainda não cheguei ao término de minha graduação em ciências sociais que ocorre no fim de 2011, mas gosto dos dois lados. Não sou especialista em sociologia da religião, sabe o porque de tanta explicação? è que já diz minha mãe prevenir sempre pra não doer depois, esse texto é fruto de reflexões minhas sobre textos de Karl Marx e autores correlatos do marxismo.

Me perdoem os acadêmicos, mas para esta que vos escreve, Marx e sua teoria a respeito do capital, da mercadoria e da mais-valia são de suma importância pra refletirmos a sociedade em que vivemos. O que mais me chama atenção é quando observo os cristãos e a igreja atual estão se tornando peças manipuláveis de um sistema que além de econômico tornou-se mote da forma cristã de pensar a igreja e seus valores. Aqui faço uma reflexão do assunto, baseando na leitura que fiz de trechos de Karl Marx e seus escritos econômicos-filosóficos que posso revelá-los pra quem quiser no Mente Social.

Para Marx a Mercadoria é  fruto do trabalho do homem em algo que provem da natureza e é por causa da relação gerada pela mercadoria produzida e o interesse do homem pela troca dela por capital para obter outra, sempre com o objetivo de gerar capital e de acumulá-lo, tanto o trabalhador como o vendedor se tornam “escravos” alienados a ela. Acredito que olhando a igreja que temos hoje e os mercadores da fé, os milagres, as vitórias e os ganhos materiais ainda fazem parte de seu pacote, mas a mercadoria não é mais o bem material ou imaterial, agora a mercadoria é o homem.

E digo isso por experiencia própria , o @mauriciozagari falou no seu ultimo texto sobre redes sociais e números e a igreja em que vivemos, foi o estopim pra tirar esses pensamentos sobre o marxismo que estavam espalhados em textos ainda não revelados nesse blog que me fizeram trazer o assunto a tona. Participei de uma igreja, onde o objetivo do pastor era fruto do pensamento capitalista que grudado no mundanismo que hoje impera no nosso meio, tem tomado corpo e contaminado igrejas, ouvi dele que mais valia investir em um programa de tv da igreja do que auxiliar os departamentos de evangelismo e missões, a tv era uma missão.

Ao ouvir essa fala, fiquei arrasada e estarrecida por que nunca pensei que tal pessoa o faria. Ele chamava a igreja pra investir na construção de um novo templo pra que pudesse ter mais membros e muitas vezes ressaltava que seria maior que tal ou tal monumento, próximo de uma igreja grande, ou seja ele queria mais gente, mais número. Não parou para pensar no que a alienação produzida pela lógica capitalista que tomou forma no meio evangélico, estava tomando conta do que era ser igreja, vidas nada valiam, o que lhe valiam era números, quanto mais gente além de fulano seria melhor. A que ponto chegamos, o mercado saiu de fora do templo e entrou pra o altar, como permitimos chegar a esse ponto?

Para isso usamos campanhas daqui e de lá e tentamos angariar mais e mais fundos para construir um templo maior até chegarmos a suntuosidade do absurdo querer reproduzir o templo de Salomão e te pergunto pra quê? O homem que disse que a religião era o ópio do povo: Marx pra mim. tornou-se um profeta dos dias da igreja do século 21. Uma igreja rica de aparência, mas cega e nua como diz Jesus em Apocalipse. Pergunto-me qual será o salário desses pastores e líderes na eternidade? O que aconteceu com o evangelho do dois ou três reunidos em meu nome, foi invalidade pela quantidade da mercadoria? Já parou pra pensar que é por isso que hoje não se investe no esclarecer o membro sobre o que é a bíblia e a simplicidade do evangelho?

Se a economia move a sociedade e a globalização do ideal capitalista de mundo é uma realidade no meio cristão, qual será o futuro? Está mais do que claro, que é para a Religião do Anticristo que as coisas estão sendo preparadas e que muitos ficarão para serem pastores nessa época. Eu não quero ser uma delas e você?

Esse texto é fruto de reflexões baseadas no textos sobre o trabalho e o homem alienado de Karl Marx nos escritos econômicos-filosóficos de 1844 e câmara escura de Jesus Ranieri que será pormenorizados em meu blog sobre sociologia que está com o link mais em cima. A reflexão não terminou, ela pode ser continuada com seus comentários , logo abaixo. Se tiver alguma dúvida e ideia comente também, o que passei é só uma pontinha do imenso iceberg da atualidade.

Fiquem na paz!!!!

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11 Responses to “O marxismo e o cristianismo : Uma Reflexão de leve sobre os nossos dias”

  1. kané

    15. jun, 2011

    Marx estava errado antes e agora. A “religião”, como ligação com Deus, está mais forte do que nunca. Agora mesmo, em setembro, vai acontecer um encontro da juventude católica na Espanha. Vai ser um oportunidade de jovens do mundo inteiro, cristãos, de compartilharem experiências e se enriquecerem.
    Sua decepção, pelo que li, é contra determinada pessoa, mais do que contra a religião em si. Nem nos cabe julgar a postura que ele adotou.
    O cristianismo, como religião, existe há dois mil anos e quanto a Karl Marx, a história dele e sua dialética materialista, não duraram nem 80 anos e se afundou, em suas próprias contradições.
    Leia Marx, mas não abandone a religião.

  2. anamaria

    15. jun, 2011

    Usei o exemplo da pessoa para refletir o que ando observando em muitas igrejas no Brasil. Frequento uma igreja regularmente e acredito no corpo de Cristo , o foco da igreja deve ser ele, assim como o meu. Só o que me entristece é ver a lógica do capitalismo tomar fôlego e solidificar-se no meio cristão. Cada dia mais percebo que está se normatizando e isso entristece entende? Não abandonarei Cristo, mas quero sempre refletir o que a igreja em si anda fazendo com ele.

  3. Cleber

    15. jun, 2011

    Religião não leva ninguém ao céu. Cristianismo não deve ser categorizado como Religião. Esse é um engano de conceitos bastante comum, mas ao entender a religião conceitualmente bem como o Cristianismo, fica difícil relacionar as duas coisas.
    Ana, parabéns pelo texto! Seu muito bem do que está falando e sua decepção com a pessoa citada simboliza bem a decepção do atual crente subversivo com a Igreja evangélica contemporânea.
    Texto maravilhoso! Parabéns!

  4. anamaria

    16. jun, 2011

    Tiago fala sobre a verdadeira religião o olhar para os orfãos e as viúvas e a minha questão é e ae quem das nossas igrejas anda fazendo isso? Eu estou numa igreja hj e ando tentando mostrar essa visão, mas tiago hj é esquecido e Judas então nem se fala. Cléber sou grata pelo comentário e pelo apoio. Deus te abençoe sempre

  5. Adorei o post Ana, tema muito relevante… apesar de marx estar errado quanto a religião, como afirmou o irmão ‘kané’, os nossos religiosos ressuscitam-no todos os dias…

    Sejamos agentes diferentes, mostrando que de fato, marx se enganou…

    Deus te abençoe maninha, paz

  6. anamaria

    16. jun, 2011

    Que o redentor nos auxilie nessa árdua tarefa e nos impeça de engessarmos no cristianismo de todo o dia. Grata pelo comentário.

  7. @danmartinss

    16. jun, 2011

    Não sou um grande fã de Marx mas concordo com a afirmação de que a religião é o ópio do povo, e para concordar plenamente com essa afirmação eu trocaria a palavra religião por religiosidade. Se a realidade atual fosse a religião como o meio de religar a criatura a seu criador e se a igreja não fosse muitas vezes um clube social mas o corpo de Cristo, a religião seria o grande “nirvana” da humanidade. Mas enquanto as instituições alienantes que se chamam igreja (com “i” minúsculo mesmo) não passarem a ser agentes integradores da sociedade e se tornarem Igreja, muitos viverão como no universo fictício de “1984″ e continuarão seguindo os grandes irmãos da fé ao invés de seguir o Grande Pai.

  8. Meire

    16. jun, 2011

    Marx era chato pra caramba!

    O probleminha é que não somos discípulos!
    Um discípulo passa o maior tempo possível com seu mestre, para ouví-lo e assim aprender, mas e nós? Temos passado tempo aos pés de Cristo para aprender Dele e Nele?
    Eu não, infelizmente.

  9. @efata67

    17. jun, 2011

    Obrigado pelo texto.

    Nossas decepções com o homem – no que estamos todos incluídos – não podem pautar nossa percepção da realidade, especialmente a espiritual. Marx foi um apóstata que mergulhou nas mais densas trevas e contaminou nossa civilização, o qual, como nos revela a Escritura, sendo homem natural (leia-se corrompido pelo pecado) jamais poderia discernir as coisas espirituais (1Co 2:14,15). Como é evidente, ele não estava “profetizando” sobre a igreja do século XXI, e sim atacando toda forma de religião.

    A reflexão merece desdobramentos, pois a influência marxista é notória em toda a forma de pensar dos nossos dias, inclusive na Igreja. Assim como a “lógica” do capitalismo. Mas uma coisa devemos ter sempre em mente, pelo bem da nossa fé: aconteça o que acontecer, quer entendamos ou não, o plano do nosso Deus, Soberano como é, cumprir-se-á, para glória de Seu Nome. Essa é a certeza da fé.

    graça e paz.

  10. Silvio-Maringá-Pr

    17. jun, 2011

    Concordo com você, a coisa tá feia mesmo! Assim como vc, sou estudante de Teologia e Sociologia. Percebe os elementos que mencionou e verifica-se hoje, uma religiosidade de mercado e um processo de coisificação da fé, extremamente danosa ao Cristianismo.
    Que a graça de Cristo permaneça sobre sua vida.

  11. Cihgral

    11. fev, 2012

    Muito bom artigo. Aliás, concordo contigo que o “sistema institucional humano cristão” tem um “Jesus” que não é o Cristo histórico. Sobre este tema, escrevi um livro intitulado: “A D J – Assim disse Jesus”. Para lê-lo, pode ser através destes links:

    http://www.bookess.com/read/11401-a-d-j-assim-disse-jesus/

    http://www.amazon.com/s/ref=nb_sb_noss_1?url=search-alias%3Daps&field-keywords=cihgral&x=20&y=21

    Grande abraço.

    Sergio
    cihgral.com

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